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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Os Contos de Beedle, o Bardo: A Fonte da Sorte

Lumos!
     Olá gente! Estou animada hoje então...!
     Vocês lembram daquelas histórias de "Os Contos de Beedle, o Bardo que eu estava escrevendo? Bem, provavelmente não, faz Meses que eu não escrevo sobre isso (hehe). Apesar de não parecer, são histórias bem longas que eu estou transcrevendo! Enfim, vou dar continuação, Ok?


A Fonte da Sorte


     No alto de um morro, em um jardim encantado envolto por muros altos e protegido por poderosa magia, jorrava a Fonte da Sorte.
     Uma vez por ano, entre o nascer e o pôr do sol do dia mais longo do ano, um único infeliz recebia a oportunidade de competir para chegar à fonte, banhar-se em suas águas e ter sorte a vida inteira.
     No dia aprazado, centenas de pessoas viajavam de todo o reino para chegar ao jardim antes do alvorecer. Homens e mulheres, ricos e pobres, jovens e velhos, dotados ou não de poderes mágicos reuniam-se no escuro, cada qual na esperança de ser escolhido para entrar no jardim.
     Três bruxas, com seus problemas e preocupações, encontraram-se nas cercanias da multidão, e contaram umas às outras suas tristezas enquanto esperavam o sol nascer.
    A primeira, cujo nome era Asha, sofria de uma doença que nenhum curandeiro conseguia eliminar. Ela esperava que a fonte fizesse desaparecer os seus sintomas e lhe concedesse uma vida longa e feliz.
     A segunda, cujo nome era Altheda, tivera sua casa, seu ouro e sua varinha roubados por um bruxo malvado. Ela esperava que a fonte a aliviasse de sua fraqueza e pobreza.
  A terceira, cujo nome era Amata, fora abandonada por um homem a quem amava profundamente, e acreditava que seu coração partido jamais se recuperaria. Esperava que a fonte aliviasse sua dor e saudade.
     Apiedando-se umas das outras, as três mulheres concordaram que, se lhes coubesse a chance, elas se uniriam e tentariam chegar à fonte juntas.
    O primeiro  raio de sol rasgou o céu, e uma fresta se se abriu no muro. A multidão avançou, cada pessoa exigindo, aos gritos, a bênção da fonte. Plantas rastejantes do interior do jardim serpearam pela massa ansiosa e se enrolaram na primeira bruxa, Asha. Ela agarrou o pulso da segunda bruxa, Altheda, que segurou com força as vestes da terceira bruxa, Amata.
     E Amata se enredou na armadura de um cavaleiro  de triste figura que montava um cavalo esquelético.
     As plantas rastejantes puxaram as três bruxas pela fresta do muro, e o cavaleiro foi derrubado do seu ginete atrás delas.
     Os gritos furiosos da multidão se ergueram no ar matinal, e silenciaram quando os muros do jardim se fecharam mais uma vez.
     Asha e Altheda se zangaram com Amata, que, acidentalmente, trouxera junto o cavaleiro.

    -Apenas um pode se banhar na fonte! Já será bem difícil decidir qual de nós será, sem adicionar mais um!

     Ora, o Cavaleiro Azarado, como era conhecido nas terras além-muros, observou que as mulheres eram bruxas e, não sendo ele dotado de magia, nem grande perícia em torneios e duelos com espadas, nem de nada que o distinguisse como homem não mágico, ficou convencido de que não havia esperança de chegar à fonte antes das três mulheres. Anunciou, portanto, sua intenção de sair do jardim.
     Ao ouvir isso, Amata se aborreceu também.

    -Medroso! - ela o censurou - Desembainhe sua espada, Cavaleiro, e nos ajude a atingir a nossa meta.

     E, assim, as três bruxas e o infeliz cavaleiro se aventuraram pelo jardim encantado, onde as ervas raras, frutos e flores cresciam em abundância à margem de caminhos ensolarados. Eles não encontraram obstáculo algum até alcançar o sopé do morro em que se erguia a fonte.
      Ali, enrolado na base do morro, havia um monstruoso verme branco, inchado e cego. À aproximação do grupo, ele virou uma cara feia e malcheirosa e proferiu as seguintes palavras:


"Paguem-me a prova de suas dores."


     O Cavaleiro Azarado sacou a espada e tentou matar o bicho, mas a espada se partiu. Então Altheda atirou pedras no verme, enquanto Asha e Amata experimentaram todos os feitiços que poderiam subjugá-lo ou hipnotizá-lo, mas o poder de suas varinhas não foi mais eficaz que a pedra da amiga ou a espada do cavaleiro: o verme não quis deixá-los passar.
      O sol foi subindo sempre mais alto no céu e Asha, desesperada, começou a chorar.
      Então o enorme verme encostou o focinho no rosto dela e bebeu suas lágrimas. Saciada a sede, o verme deslizou para um lado e sumiu por um buraco no chão.
     Exultantes com o sumiço do verme, as três bruxas e o cavaleiro começaram a subir o morro, certos de que chegariam à fonte antes do meio-dia.
      A meio caminho da subida ingrime, porém, eles encontraram palavras gravadas no chão.


"Paguem-me os frutos do seu árduo trabalho" 


     O Cavaleiro Azarado apanhou sua única moeda e colocou-a na encosta relvada, mas ela rolou para longe e se perdeu. As três bruxas e o cavaleiro continuaram a subir, e, embora tivessem andado durante horas, não avançavam um único passo; o topo continuava distante e a inscrição permanecia no chão diante deles.
   Todos se sentiram desanimados quando viram o sol passar sobre suas cabeçar e começar a declinar em direção ao longínquo horizonte, mas Altheda andou mais rápido e, empenhando mais esforço do que os demais, estimulava-os a seguir seu exemplo, embora tampouco avançasse na subida do morro encantado.

     -Coragem, amigos, não fraquejem! - gritava ela, enxugando o suor do rosto.

    À medida que as gotas caíam, cintilantes, na terra, a inscrição que bloqueava o caminho desaparecia, e eles descobriram que podiam prosseguir.
     Encantados com a remoção do segundo obstáculo, correram para o alto o mais rápido que puderam, até que, por fim, avistaram a fonte, refulgindo cristalina em meio a árvores e flores.
   Antes de alcançá-la, no entanto, encontraram barrando o seu caminho um riacho que circundava o topo do morro. No fundo da água transparente havia uma pedra lisa com as seguintes palavras:


Paguem-me o tesouro do seu passado


     O Cavaleiro Azarado tentou atravessar o curso d'água flutuando sobre seu escudo, mas afundou. As três bruxas o tiraram de dentro do riacho e tentaram saltar por cima da água, mas o riacho não as deixou atravessar, e todo o tempo o sol ia baixando pelo céu.

     Eles começaram, então, a refletir sobreo significado da mensagem pedra, e Amata foi a primeira a compreendê-la. Apanhando a varinha, apagou da mente  todas as lembranças dos momentos felizes que passara com o seu amor desaparecido e deixou-as cair na correnteza. O riacho as levou para longe, deixando aparecer pedras planas e, finalmente, as três bruxas e o cavaleiro puderam atravessar em direção ao topo do morro.
      A fonte refulgiu diante dos quatro, emoldurada pelas ervas e flores mais raras e belas que jamais tinham visto. O céu coloriu-se de vermelho, e chegou a hora de decidir qual deles iria se banhar.
      Antes, porém, que chegassem a uma conclusão, a franzina Asha tombou no chão. Exausta com o esforço da subida, estava a beira da morte.
      Seus três amigos a teriam carregado até a fonte, mas Asha, em agonia mortal, lhes pediu que não a tocassem.
      Então Altheda se apressou a colher as ervas que julgou mais úteis, misturou-as na cabaça de água do Cavaleiro Azarado e levou a poção à boca de Asha.
     Bem na mesma hora, Asha conseguiu se pôr de pé. Além disso, todos os sintomas de sua terrível enfermidade tinham desaparecido.

     -Estou curada! - exclamou ela - Não preciso da fonte; deixem Altheda se banhar!

     Altheda, porém, estava ocupada colhendo mais ervas em seu avental.

     -Se fui capaz de curar essa doença, posso ganhar muito ouro! Deixem Amata se banhar!

     O Cavaleiro Azarado se inclinou e, com um gesto, indicou a fonte a Amata, mas ela sacudiu a cabeça. O riacho tinha lavado todos os seus desapontamentos de amor, e ela percebia agora que o antigo amado fora insensível e infiel, e que era uma grande felicidade ter se livrado deles.


     -Bom cavaleiro, o senhor deve se banhar, em recompensa por toda a sua nobreza! - disse ela ao Cavaleiro Azarado.

      Então ele avançou a armadura tinindo aos últimos raios do sol poente e se banhou na Fonte da Sorte, admirado por ter sido o escolhido entre centenas de outros e atordoado com a sua inacreditável fortuna.
    Quando o sol se pôs no horizonte, o Cavaleiro Azarado se ergueu das águas sentindo-se glorioso com o seu triunfo, e se atirou, ainda vestindo a armadura enferrujada, aos pés de Amata, a mulher mais bondosa e bela que já contemplara. Alvoroçado com o sucesso, pediu sua mão e seu coração, e Amata, não menos feliz, percebeu que encontrara um homem que merecia os dois.
   As três bruxas e o cavaleiro desceram o morro juntos, de braços dados, e os quatro levaram vidas longas e venturosas, sem jamais saber nem suspeitar que as águas da fonte não possuíam encanto algum.




Fonte: Os Contos de Beedle, o bardo      J.K. Rowling


     Ufa! Que acham? Legal? Dramático e Romântico (kkk)? Eu achei bem legal!

     É isso.
     Comentem e Recomendem meu blog Potterheads!


Nox!

segunda-feira, 16 de março de 2015

Os Contos de Beedle, o Bardo: O Bruxo e o Caldeirão Saltitante

     Lumos!
     Oi Potterheads! Lembram-se de que em As Relíquias da Morte, o Prof. Dumbledore deixa, em seu testamento, um exemplar de "Os Contos de Beedle, o Bardo" para Hermione? Alguns de vocês já leu alguma das histórias desse livro? Caso não, vou colocar alguns posts com essas histórias bruxas, a começar por essa:


O Bruxo e o Caldeirão Saltitante



    Era uma vez um velho bruxo muito bondoso que usava magia com generosidade e sabedoria para beneficiar seus vizinhos. Em vez de revelar a verdadeira fonte do seu poder, ele fingia que suas poções, amuletos e antídotos saíam prontos de um pequeno caldeirão a que ele chamava de sua panelinha da sorte. De muitos quilômetros ao redor, as pessoas vinham lhe trazer seus problemas, e o bruxo, prazerosamente, dava uma mexida na panelinha e resolvia tudo.
     Esse bruxo muito querido viveu até uma idade avançada e, ao morrer, deixou todos os seu bens para o único filho. O rapaz, porém, tinha uma natureza bem diferente da do bom pai. Na sua opinião, quem não sabia fazer mágicas não valia nada, e ele muitas vezes discordava do hábito que o pai tinha de ajudar os vizinhos com sua magia.
  Quando o velho morreu, o jovem encontrou escondido no fundo da velha panela um embrulhinho com o seu nome. Abriu-o na expectativa de ver ouro, mas, em lugar disso, encontrou uma pantufa grossa e macia, pequena de mais para ele e sem par. Dentro dela, um pedaço de pergaminho trazia a seguinte frase: "Afetuosamente, meu filho, na esperança de que você jamais precise usá-la."
     O filho amaldiçoou a caduquice do pai e atirou a pantufa no caldeirão, decidindo que passaria a usá-lo como lixeira.
     Naquela mesma noite, uma camponesa bateu à porta da casa.
     
   -Minha neta apareceu com uma infestação de verrugas, meu senhor. O seu pai costumava preparar um cataplasma especial naquela panela velha...
     -Fora daqui! - exclamou o filho. - Que me importam as verrugas da sua pirralha?

     E bateu a porta na cara da velha.
    Na mesma hora, ele ouviu clangores e rumores que vinham da cozinha. O bruxo acendeu sua varinha e abriu a porta, e ali, para seu espanto, viu que brotara um pé de latão na velha panela do pai, e o objeto pulava no meio da cozinha fazendo uma zoada assustadora no piso de pedra. O bruxo se aproximou admirado, mas recuou ligeiro quando viu que a superfície da panela estava inteiramente coberta de verrugas.

     -Objeto nojento! - exclamou ele, e, com feitiços, tentou primeiro fazer desaparecer o caldeirão, depois limpá-lo e, por fim, expulsá-lo de casa. Nenhum dos feitiços, porém, fez efeito, e ele não pôde impedir o caldeirão de segui-lo saltitante para fora da cozinha, e depois subir com ele para o quarto, alternando batidas surdas e estridentes a cada degrau da escada de madeira.

     O bruxo não conseguiu dormir a noite toda por causa das batidas da velha panela verrugosa ao lado de sua cama, e, na manhã seguinte, a panela insistiu em acompanhá-lo, aos saltos, à mesa do café da manhã. Plem, plem, plem fazia o pé de latão, e o bruxo ainda nem começara o seu mingau de aveia quando ouviu outra batida na porta.
     Havia um velho parado na soleira.

     -É a minha velha jumenta, meu senhor - explicou ele. - Perdeu-se ou foi roubada, e sem ela não posso levar os meus produtos ao mercado e minha família passará fome hoje à noite.
     -Com fome estou eu agora! - brandou o bruxo, e bateu a porta na cara do velho.

     Plem, plem, plem fez o caldeirão no chão com aquele seu único pé de latão, mas agora o estrépito se misturava aos zurros de um jumento e aos gemidos humanos de fome que vinham de sua profundezas.
     
     -Pare! Silêncio! - guinchou o bruxo, mas todos os seus poderes mágicos não conseguiram calar a panela verrugosa, que seguiu saltitando o dia todo, zurrando e gemendo e clangorando, aonde quer que ele fosse ou o que quer que fizesse.

     Naquela noite ouviu-se uma terceira batida na porta, e ali, na soleira, estava parada uma jovem mulher soluçando como se o seu coração fosse partir de dor.

     -O meu filhinho está gravemente doente - disse ela - Por favor, pode nos ajudar? Seu pai me disse para vir se tivesse algum pro...

     Mas o bruxo bateu a porta na cara da jovem.
     E agora a panela atormentadora se encheu até a borda de água salgada e derramou lágrimas por todo o chão enquanto pulava, zurrava, gemia e fazia brotar ainda mais lágrimas.
     Embora, pelo resto da semana, nenhum outro aldeão tivesse vindo à cabana do bruxo buscar ajuda, a panela o manteve informado dos seus muitos males. Em poucos dias ela não estava apenas zurrando, gemendo, transbordando, pulando e brotando verrugas, mas também engasgando e tendo ânsias de vômito, chorando como um bebê, ganindo feito um cão e cuspindo queijo estragado, leite azedo e uma praga de lesmas vorazes.
     O bruxo não conseguia dormir nem comer com a panela ao seu lado, mas ela se recusava a sumir dali, e ele não podia silenciar nem forçar o caldeirão a parar.
     Por fim, não aguentou mais.

     -Tragam-me todos os seus problemas, todas as suas preocupações e todas as suas tristezas! -gritou, fugindo noite adentro, com a panela perseguindo-o aos saltos pela estrada que levava à aldeia. -Venham! Deixem que eu cure vocês, recupere vocês e console vocês! Tenho a panela do meu pai e vou remediar tudo!

     E, com a detestável panela ainda a persegui-lo saltitante, ele correu pela rua principal lançando feitiços para todos os lados.
     Dentro de uma casa, as verrugas da garotinha desapareceram enquanto ela dormia; a jumenta perdida foi trazida de urzal distante e suavemente deixada em seu estábulo; o bebê doente foi umedecido com ditamno e acordou bom e rosado. Em todas as casas em que havia doença e tristeza, o bruxo fez o melhor que pôde, e gradualmente a panela ao seu lado parou de gemer e ter ânsias de vômito, e sossegou, reluzente e limpa.

     -E então Panela? - perguntou o bruxo trêmulo, quando o sol começou a despontar.

     A panela arrotou p pé de pantufa que ele havia jogado em seu fundo, e permitiu que o bruxo o calçasse em seu pé de latão. Juntos, eles regressaram à casa, os passos da panela finalmente abafados. Mas, daquele dia em diante, o bruxo passou a ajudar os aldeões exatamente como fazia seu pai, antes dele, para que a panela não descalçasse a pantufa e recomeçasse a saltitar.

fonte: Os Contos de Beedle, o Bardo J.K. Rowling

     



     Essa é a primeira de algumas histórias de Os Contos de Beedle, o Bardo. Gostaram? Comentem e recomendem meu blog!

      Nox!